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O que falam de Martha Freitas/Wal Torres

  • Carta de uma cliente, avaliada como transexual pela Gendercare, já transicionada e pronta para a cirurgia de redesignação sexual SRS MtF, no Brasil.
    Ela leu o Livro "Meu Sexo Real", escrito sob o pseudonimo de Martha Freitas, publicado pela Editora Vozes em 1998, e fez os comentários que se seguem:


    Querida, com muito prazer estive durante 9 horas lendo o seu livro. Notei que a primeira parte é científica e imparcial, o que demonstra sua responsabilidade para com a verdade dos fatos comprovados e dos estudos sobre o complexo funcionamento do corpo humano, num sentido holistico ou integral.

    Em muitas passagens me enchi de entusiasmo, em outras tive uma espécie de desânimo por ver que as coisas não são fáceis do ponto de vista científico e que existe uma gama de componentes separados em órgãos que, entretanto, agem interligados na corporalidade humana, tornando difícil uma transformação ideal e verdadeira.

    Em nenhum momento você foi parcial, defendendo o lado profissional a que se dedica. Muitas vezes foi crua, de um realismo chocante nas suas revelações. Mostrou-nos que o caminho é longo a percorrer e que temos muito que conquistar e descobrir por dezenas ou centenas de anos até que cheguemos próximos à perfeição.

    Esta perfeição nunca será para nós, mas estamos abrindo caminhos para as futuras gerações, assim como cientistas e transsexuais do passado abriram caminhos para nós. Esta é a sobrevivência do ser humano como raça neste Planeta e sua perpetuidade que tem se mantido por séculos, sempre num crescimento, às vezes rápido, outras vezes lento em todos os setores humanos e, no caso, nos nossos interesses transsexuais.

    Confesso que algumas vezes me chateei com todo o emaranhado científico, não por achá-lo enfadonho mas por descobrir as dificuldades imensas para o nosso meio. Você foi magistral nesta primeira parte. Em nenhum momento criou ilusões descabidas em nossas mentes ávidas por informação especializada. E quando informou da parte positiva do que temos conquistado não deu ênfase sensacionalista e mostrou a realidade despida de quaisquer artifícios ou erudição, mostrando-nos que as coisas fáceis em nossa área são poucas, mas que é o que temos por enquanto.

    Gostei das informações e vejo que você conseguiu condensar no compêndio uma base para nosso conhecimento, o que faz de você uma autoridade no assunto, não só pelo seu livro mas pela sua ação constante no desenvolvimento de nossas personalidades, redesignação, apôio. O lado científico é importante e vital.

    Mas eu sou uma romântica e gosto também de sonhar e de interagir com as experiências de pessoas que como você e como eu estamos trilhando caminhos de reconstrução de nós mesmas. Por isso a segunda parte me emocionou demais, quando a mulher Martha, com toda a sua força feminina, se manifestou protestando, contando sua história e de outras pessoas que andam por esses caminhos, com momentos muitas vezes tristes, mas ao mesmo tempo confortadores por inferirmos, através dos relatos, que a luta é possível e válida e que devemos sempre seguir com coragem para não desmerecermos aos que nos antecederam e para não decepcionarmos os futuros com inércia e conformidade que seriam prejudiciais para o desenvolvimento da humanidade.

    Cada vez eu tenho maior admiração por você e por seu trabalho. O livro é magnífico. Parabéns. Obrigadíssima por você existir e estar nesta causa. Que os espíritos superiores te abençoem e que a humanidade cada vez mais sorva da tua sabedoria e da tua dedicação. Que a comunidade científica siga o teu exemplo e que não nos veja sempre com a ressalva de que somos impostoras, impedindo com esta atitude o nosso desenvolvimento.

    Beijos e muito aché para você.

    Luciana - RS

    beijos, Luciana

  • Carta recebida de um médico de Belo Horizonte

    Sou clínico geral e médico de família na cidade de Belo Horizonte (MG) e atuo com populações sócio-economicamente desfavorecidas. Recentemente recebi um paciente de 26 anos de relatou seu desejo de usar hormônios femininos para desenvolvimento de caracteres sexuais femininos (mamas, quadril, etc), mas que gostaria de fazê-lo com segurança, ou seja, com acompanhamento médico. Pedi um tempo ao paciente para que eu pudesse me respaldar técnico-cientificamente da questão. Solicitei, então, uma interconsulta com um psiquiatra e um endocrinologista de apoio, porém a única afirmativa de ambos era que se eu cedesse ao desejo do paciente eu estaria sendo "anti-ético" em forçar contra a sua natureza (biologia) masculina, ou seja, eu nada deveria fazer em prol do desejo deste paciente. Fiquei muito frustrado em saber que esta opinião era compartilhada por diversos outros profissionais de saúde e que eu não teria como dar uma resposta a este rapaz tão angustiado, mas ao mesmo tempo tão determinado a seguir seu caminho. Agora, pergunto, o que posso fazer para ajudar este rapaz, sem ferir a ética médica e ao mesmo tempo respaldar-me legalmente.

    Agradeço desde já o apoio,

    Fernando Dornas.

    Outra carta recebida do Dr.Fernando Dornas

    Desculpe-me não ter lhe enviado o retorno até então. O fato é que além da minha interminável jornada de trabalho, ainda aguardo uma resposta definitiva do caso. Mas, colocarei vc a par do que vem ocorrendo até o momento.

    Bom, após receber sua resposta, entrei em contato imediatamente com o serviço de saúde mental do BHvida (munido com seu e-mail, claro) e expus o caso do jovem em questão, abordando todas as dificuldades que eu e minha equipe já havíamos enfrentado nesta empreitada em busca de uma solução para ele. Fui muito bem recebido por uma psicóloga e uma psiquiatra recém chegada à Belo Horizonte. Tivemos uma reunião muito proveitosa na qual firmamos laços de cooperação mútua para tentarmos solucionar (ou pelo menos encaminhar responsavelmente) esta e tantas outras questões tão esquecidas (e por que não dizer, desprezadas) pela saúde pública, principalmente as questões referentes à afetividade e sexualidade humana.

    Enfim, nesta quarta-feira, recebi um telefonema da psicóloga dizendo que já agendou uma primeira consulta para o meu paciente na próxima terça-feira (22/03). E é só o que tenho no momento (que já significa muito para mim e para meu paciente).

    Martha, realmente tenho que agradecer por este enorme apoio que vc nos deu. Você (seu e-mail) tornou-se uma incrível e eficaz parceira nas minhas investidas contra tanta incoerência e preconceito. Sei que muitas águas vão rolar, mas, como se costuma dizer lá no interior de onde vim: "quem está na chuva, tem que se molhar..."

    Abraços,

    Fernando Dornas Silva

    PS: Ah! Você tem total autorização para publicar meus e-mails. Se lhe parecer melhor, poderá me identificar tranqüilamente. Não há nada a esconder ou temer.

  • Adriana, amiga, colaboradora e paciente, postou no Orkut em fevereiro de 2009

    Sou fã e amiga virtual dessa abelha-rainha maravilhosa!! As questões de gênero no Brasil têm definitivamente duas fases: pré e pós-Doutora Martha.

    Pena que os órgãos públicos e a mídia do Brasil ainda não lhe deram seu devido valor e atenção – e sem isso todos perdemos!

    Ministro Temporão, cadê o senhor que não vê esta mulher precursora e amazona guerreira. Não consigo enxergar a implantação de um "Processo Transexualizador" efetivo e eficiente no Brasil sem a presença e as opiniões dela.

    É o mesmo que falar da história do futebol e não mencionar Pelé. Dra. Martha é a "Fernando Pessoa" da disforia de genero, acordemos!!

    Bjs no coração, Doutora... mais e mais sucesso para você e a Gendercare!!


  • Faiza, uma paciente e amiga, que foi avaliada por nós, transicionada por nós, que foi operar sua cirurgia SRS MtF com Dr.Kamol com nossa carta de recomendação para a cirurgia (e apenas nossa carta), fez uma cirurgia perfeita. Ela resolveu abrir uma comunidade em homenagem de Martha Freitas. Nos deixam assim até constrangidos! Eis o que ela postou na comunidade no Orlut.

    ESSA COMUNIDADE É UMA HOMENAGEM A AUTORA DA CONCEITUADA OBRA " MEU SEXO REAL " , PUBLICADO PELA EDITORA VOZES EM 1998 . Mestre EM SEXOLOGIA.

    Desde 2002 é membro titular da World Professional Association for Transgender Health, Inc. — WPATH (ex-HBIGDA), a mais respeitada entidade que estuda e trata de problemas de DISFORIAS DE GÊNERO.

    Também é porta-voz da Organização Internacional de Intersexuais — OII para os países de língua portuguesa, a qual aderiu em 2006.

    COMO AUTORA, SEXÓLOGA, CONFERENCISTA, PALESTRANTE, MILITANTE NO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RELACIONADAS AS DIFORIAS DE GÊNERO, AJUDANDO DISFÓRICAS NO BRASIL E NO EXTERIOR, ENSINANDO, VIAJANDO, PESQUISANDO...

    ELA É UMA REFERÊNCIA NACIONAL E INTERNACIONAL EM DISFORIAS DE GÊNERO.


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